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CARTA DE SÃO PAULO II - NOVA SÉRIE - ANO V

 

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SÃO PAULO - MAM-Museu de Arte Moderna

EDITORIAL 

MULHER

Maria Bernadette S. de S. Pitteri *    

Faltam duas semanas para as Jornadas da EBP-SP, "Corpo de Mulher", e lembrar Lacan no Seminário 23 que diz: "ter relação com o próprio corpo como estrangeiro é, certamente, uma possibilidade, expressada pelo fato de usarmos o verbo ter" (p. 146), direciona o raciocínio para a questão que nos inquieta. DETTE3

Freud cria a Psicanálise em torno do trabalho clínico com as histéricas, que mostravam no corpo o que não passava pela fala, e se pergunta no decorrer de sua vida-obra “o que quer a mulher?”, pergunta à qual se dedica sempre mais, diante da insatisfação e dos impasses. Lacan, seguidor e subversor da teoria freudiana propõe que se busque não “A” mulher, “A mulher não existe” ele repete, mas “uma” mulher. Se “A mulher” não existe, existem mulheres uma a uma: como pensar este “uma a uma”? Na história do Ocidente temos mitos, modelos e figuras que tentam dar conta do que seria essa coisa estranha que chamamos "mulher" - estranha para os homens, estranha para as mulheres.

Olhar de perto as tábuas da sexuação no Seminário 20 (capítulo VII), onde Lacan discorre sobre o matema que ocupa desde então os psicanalistas, pois “quem quer que seja falante se inscreve de um lado ou de outro”, aponta um caminho para pensar "Corpo de Mulher". O ser falante, falasser, pode se inscrever como homem ou mulher como sujeito, não esquecendo que o sujeito está encarnado em um corpo, como afirma Lacan no Seminário 23: "vocês precisam perceber que o que eu lhes disse sobre as relações do homem com o seu corpo, seu corpo, ele o tem. (...) Isso nada tem a ver com qualquer coisa que permita definir estritamente o sujeito, que, por sua vez, só se define de modo correto na medida em que é representado por um significante junto a outro significante" (p.150).

Voltando ao Seminário 20, quando o ser falante se inscreve do lado masculino, haverá um modelo, uma direção, ou seja, o homem como um todo se inscreve na função fálica, função que lhes dá um contorno, uma direção. Do lado feminino, o ser falante pode se inscrever “... qualquer que ele seja, quer ele seja ou não provido dos atributos de masculinidade” (p. 107) e caso ele o faça, não haverá qualquer possibilidade de identificação, de universalização.

Diante disto, pode-se pensar o porquê de as mulheres, mais facilmente inscritíveis no lado feminino, buscarem a diferença radical, na tentativa de preencher um vazio de identificação, vazio d´A mulher que não existe. Não significa que não haja o lugar da mulher, mas esse lugar permanece vazio e aí se encontram somente máscaras do nada; mulheres são “esses sujeitos que têm uma relação essencial com o nada”. Mulher é uma posição que não se mantém, é momentânea, atua com o menos e não com o mais, explora uma zona desconhecida, ultrapassa limites, vai além das fronteiras ... com seu corpo.

Neste número da CSP-OLINE, Cláudia Aldigueri faz uma exposição do livro "Histeria Rígida" de Indart e em "O Osso de uma Análise" Maria Célia Reinaldo Kato fala novamente da histeria rígida, onde não há o Outro interpretante como parceiro. Enquanto isso, no "Olhar São Paulo" temos dois filmes expostos por Gisele e Desirée, onde aparecem perfis diversos de mulheres e seu saber-fazer com seus corpos. 

Por outro lado, o Conselho da EBP-SP continua a fazer sua conversação quinzenal, abordando questões cruciais na "Formação do Analista": Mariana e Bernadette apresentam um resumo destas discussões.

Convido todos à leitura!

*EBP/AMP

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Carta de São Paulo Online - Ano V - EXTRA I

 

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Rômulo Ferreira da Silva* 

O programa das Jornadas da EBP-São Paulo é a abertura desta Carta. Dentro de alguns dias nos reuniremos em torno do tema “Corpo de Mulher”. A Comissão Científica está em pleno trabalho, organizando as mesas simultâneas. Recebemos muitos textos e certamente teremos bons momentos de discussão.

Marie-Hélène Brousse está entusiasmada com sua vinda a São Paulo.

Bernadette Pitteri publica a apresentação que Mercedes Iglesias, nossa colega da NEL, fez na EBP-SP, às vésperas do VII ENAPOL.

Mercedes parte do Seminário 6 de Jacques Lacan para colocar algumas perguntas. Ela marca que há diferença entre “ter um corpo” e “crer ter um corpo”. O corpo é abordado por Lacan de forma inédita quando leva em conta o gozo feminino e a partir desses desenvolvimentos encontramos material rico para o trabalho sobre o “Corpo de Mulher”.

Boa leitura!

*EBP/AMP - Diretor Geral da EBP-SP

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Ler um sintoma - Jacques-Alain Miller

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